Sou baiano, desde Março de 1975, aportei em São Paulo, com sonho de menino, da cidade do interior baiano, Cruz das Almas, que seria algo na vida.
Muito diferente da cidade do interior baiano, eu vim pra o grande centro, São Paulo, com perspectivas grandes, sonhos enormes, tudo era deslumbrante pra mim e minha família.
E, São Paulo foi crescendo dentro de mim, e eu me adaptando à cidade. Conheci pessoas, boas, más, de toda qualidade de gente. Mas nos primeiros anos, ainda com resquícios do torrão natal, era minha "Bahia" em primeiro lugar, sotaque arrastado," ôxente bichinho cabra-da-peste", e a vida ia correndo, eu correndo pela vida paulistana.
Conheço a São Paulo como ninguém, pois fui "office-boy", e numa época maravilhosa, pois andava sempre abonado, dinheiro de quinze dias de condução, cartas, e quando era pra pegar táxi, aí a grana era grande, tinha o ônibus "Juremão - da viação Jurema", que para os office-boys, era como táxi, os motorista iam a mil, não paravam em pontos, e a gente se deliciava, chegava na empresa, e falava foi tanto, e não tinha reclamações. Bons tempos, por isso conheci São Paulo, Zona Sul, Zona Norte, Zona Oeste e Zona Leste. Tanto é que meu e minha mãe, descobriram o endereço de uma tia irmã de minha mãe, lembro como se fosse hoje, Vila Progresso, e quem estava à frente, eu, que já no primeiro ano, estava com São Paulo aos meus pés.
Em São Paulo descobrir lugares bons, ruins, péssimo e ótimos. Desde prostitutas, viados (naquela época era assim chamados os gays, travestis, escondidos, pederastas, etc..), gigolôs, malandros daqueles que andavam cheio de bossa, terno de linho branco e cartola, a navalha, enfiada no bolso.
Conheci mulheres (na época meninas), de toda espécie, que te faziam amar, cair por elas, ou deixá-las, com aquele gosto amargo da paixão recolhida. Grande São Paulo que me fez amá-lo cada vez mais, esquecendo do torrão natal, fui deixando o sotaque de lado, e aprendendo jeito paulistano de ser e falar.
Fui em 80/81 para Salvador, ainda estava construindo o primeiro Shopping, o Igatemi de Salvador, mas a saudade de uma namorada daqui da "Paulicéia Desvairada" me trouxe de volta a Sampa, e em 81, começou a mudar minha vida, profissional e de homem, comecei a crescer, e ver que como São Paulo crescia, pra os seus habitantes, é necessário aprender a lidar com as mudanças que me faziam um homem, e São Paulo a terra de muitos que aqui não nasceram, queriam porque queriam e a aceitavam como mãe.
São Paulo está inserido em cada coração de baianos, pernambucanos, cearenses, e tantos outros
nortistas e nordestinos, gaúchos, paranaenses e catarinense, cariocas e mineiros, não há nenhum que não diga eu sou de São Paulo, e a vontade enorme de dizer (eu sou paulistano), italianos, portugueses, japoneses, coreanos, chineses, peruanos, bolivianos, chilenos, argentinos, enfim, latinos, americanos, europeus, São Paulo os abraça, como a um filho, cada com sua quota, parcela de culpa ou de generosidade por esta enorme São Paulo.
Fui a 3 anos pra Bahia, mas, devido ao costume, e o jeito de ser paulistano, em Salvador tudo anda como o baiano gosta e quer, muito lento, muito devagar para o meu gosto. Não há comercio, padaria que abra antes das sete, pra mim que sou madrugador ficava descontente, com a demora, e nos domingos então, o pessoal acho que comia muita água (é como eles falam de alguém que foi beber), então tinha que esperar à boa vontade do dono.
Que saudades que me dava, São Paulo tem padarias que não fecham, e na Bahia, vai passar mais 33 anos e isso não acontece por lá,
Estou de volta São Paulo querido, terra de muitas terras, de muitas gentes, muitas histórias e estórias, de casos e causos, Sã Paulo de muitos poetas, repentistas, roqueiros, sambistas, sertanejos, caipiras, São Paulo de muitos sons, muitas cores, e da diversidade.
São Paulo das noites cariocas, baianas, italianas, portuguesas, japonesas e caipiras.
São Paulo que não troco por nenhuma cidade do mundo, seja Paris, São Paulo tem suas luzes, Londres, São Paulo tem os seus nevoeiros, teatros.
Eu sou um baiano, que na Bahia me chamam de paulista, e me deixou muito cheio de orgulho, pois além de morar na maior Cidade de país, torço para o time que é a cara de São Paulo, o Sport Club Corinthians Paulista.
Parabéns minha terra de coração, pois sei que adotado eu fui quando cheguei, e dizem que o Cristo Redentor está de braços abertos para quem for visitar o Rio, São Paulo não tem braços abertos, tem coração, corpo e alma para acolher que aqui chega para uma vida melhor.
PARABÉNS SÃO PAULO, VIVA SÃO PAULO, A TERRA DA GARÔA, A PAULICÉIA DESVAIRADA NOS SEUS 458 ANOS.